domingo, 29 de julho de 2007

ZEFINHA DE ALTANEIRA

JOSEFA RODRIGUES BARBOSA.
Por esse nome talvez nimquém conheça.
Mas se falar a "doida Zefinha" todos conhecem.
Ela mora em Altaneira CE., Cidade pacata, seis mil habitantes.
É uma dessas pessoas desafortunados da vida. Casou e teve filhos.
Era uma pessoa normal como qualquer outro vivente desse planeta.
Mas... de repente pirou. É o que dizem. Não acredito.
O mais certo é que a sociedade a enlouqueceu.
Zefinha deve ter ficado deprimida. Alguma coisa a tirou de tempo.
Meu Pai dizia que a maior doença da nossa comteporaneidade é a pobreza.
Nos afortunados, quando a cabeça pira, procuram logo o Psiquiatra.
A família, os amigos, a sociedade, todos tem pena. Apoiam. Até bajulam.
Se for pobre tá fudido. Quando pira é porque tá doida, enlouqueceu.
A família renega, os amigos se afastam, a sociedade rejeita, pior ainda, maltrata.
Por conta disso ela se torna grosseira, violenta. É tudo uma forma de defesa.
Nunca vi ninguém lhe dar um beijo, um carinho por quão pequeno que seja.
Nem tão pouco um abraço.
A sociedade com medo dela, e ela com medo da sociedade.
Está sempre com alguma coisa na mão. Um pedaço de pau, uma pedra.
A população armada com palavrões, atiram coisas nela.
É por isso que sempre tem algum objeto de defesa, para contra atacar. Claro.
Zefinha tem por mim uma verdadeira paixão. Gratuita.
Ouse alguém dizer qualquer coisa comigo que está ferrado.
Apesar de eu a trata-la muito bem, não nutro desse mesmo sentimento.
É uma pena. Mas, faço a minha parte. Não a destrato. Dou-lhe beijos, abraços, carinhos.
Palavras de conforto. Viajamos na loucura dela. Falamos coisas sem sentido, sem nenhuma conexão. É um barato. Rimos feitos loucos.
Algumas pessoas já estão achando que sou maluco também.
Mas não estou nem ai.
Depois continuo.
Escrever cansa.